Material necessário para realizar o exame neurológico: Para atender aos objetivos do ensino neurológico, é necessário que os alunos disp...

Semiologia neurológica



Material necessário para realizar o exame neurológico: Para atender aos objetivos do ensino neurológico, é necessário que os alunos disponham de instrumentos adequados que serão exigidos, por serem indispensáveis ao exame clínico. Consideramos essencial que todo estudante tenha, para uso pessoal, o seguinte material:

1. Abaixador de língua
2. Algodão
3. Alfinete
4. Estilete de ponta romba
5. Fita métrica
6. Lanterna de bolso
7. Martelo de reflexos.
8. Diapasão de 128 ou 256 Hertz
9. Oftalmoscópio.


1.0 Sensibilidade






O exame da sensibilidade sempre é subjetivo, pois depende da informação prestada pelo paciente. É necessário perguntar, antes do início do exame se há alguma região que sente anestesia (ausência de qualquer tipo de sensibilidade) ou parestesia (sensações de formigamento, queimação ou outra sem estímulos para provocá-las). Em seguida, faz-se os estímulos correspondentes:

a-Sensibilidade dolorosa: de preferência usar um alfinete que provoca dor, mas não penetra a pele. O examinador testa em si mesmo a força que deve fazer e, depois examina o paciente.

b-Sensibilidade tátil: usa-se um algodão seco, gaze ou um pedaço de lenço de papel.

c-Sensibilidade térmica: usa-se dois tubos de ensaio cheios, um de água fria (+ ou - 10°C) e outro de água quente (+ ou - 45°C), coloca-se de maneira aleatória os tubos, nos locais a serem testados. Os testes devem ser feitos nas regiões suspeitas, comparando-se a sensibilidade dessas regiões com outras, consideradas normais.


Uma sistematização interessante pode ser usada: testar os membros iniciando-se dos dedos até a raiz para detectar algum nível em “luva” ou em “bota” de perda das sensibilidades (indicaria polineuropatia periférica) A seguir, testa-se as circunferências dos membros na altura da mão, antebraço, braço, pé, perna e coxa para detectar alguma faixa de perda das sensibilidades (indicaria comprometimento de raízes sensitivas). A seguir, pesquisa-se a sensibilidade do tronco de um lado e do outro, comparando-se áreas homólogas, ao mesmo tempo vai-se caminhandopelo tronco, cranialmente, até a mandíbula (poderia indicar níveis de alteração das sensibilidades sugestivas de patologias medulares). Não esquecer de examinar as regiões ventral e a dorsal.Na determinação de nível de sensibilidade, com exatidão, pode-se, entrar e sair, com os estímulos correspondentes, nas áreas afetadas, solicitando-se ao paciente dizer o momento que as sensibilidades aumentam (quando sai da área afetada) e diminuem (quando entra na área afetada). Esta manobra poderá ser repetida em casos de dúvidas, várias vezes ou em dias subseqüentes. É necessário fazer-se um mapa das alterações da sensibilidade em um desenho do corpo humano. Nota: Chama-se Disestesia, quando há uma sensação alterada em relação ao estímulo. Por exemplo: sensação de queimação quando o estímulo é doloroso ou táctil.


d-A sensibilidade vibratória: pode ser pesquisada através de um diapasão (de 128 ou 258 Hz), colocando-o nas saliências ósseas: dorso do pé, maléolos, tíbia, rótula, sínfise púbica, cristas ilíacas, falange dos dedos, esterno, olécrono, clavícula, etc. Neste teste, a sensibilidade pode estar diminuindo ou ausente. Deve-se sempre comparar pontos homólogos, partindo de pontos distais para proximais. Para melhor confiabilidade do exame, coloca-se o diapasão ora parado, ora vibrando, solicitando-se ao paciente que faça esta diferença. Explicar e fazê-lo entender que ele deve perceber a vibração (sensibilidade profunda) e não a sensação de algo mais frio encostar na pele (sensação térmica e/ou táctil )

e-Sensibilidade proprioceptiva: colocar um dos membros numa determinada posição estando o paciente de olhos fechados e solicitar para que coloque o membro homólogo na mesma posição. Isto será feito, corretamente, se houver integridade da sensibilidade profunda. Uma manobra muito usada é balançar os dedos da mão ou do pé, de preferência o primeiro dedo, pegando-o pela bordas laterais e parar com o dedo, ora em flexão, ora em extensão e pedir ao paciente identificar esta posição de olhos fechados (o dedo está para cima ou para baixo?).

2.0 Motricidade

a- Marcha: com ou sem apoio. Impossibilidade de andar (abasia). Observar os movimentos associados. Andar nos calcanhares, na ponta dos pés, de olhos fechados. Corrida. Andar num pé só. Marcha de olhos fechados, indo e voltando três passos sem virar (Marcha de Babinski -Weill). As alterações mais comuns da marcha são: marcha espástica (hipertonia em extensão dos membros inferiores, uni ou bilateral, mudando o passo com a abdução da coxa sobre a bacia, às vezes, ultrapassando a linha mediana com o membro que está na frente, obtendo-se a marcha “em tesoura”) marcha atáxica (ebriosa) marcha talomante (batendo, fortemente, com os calcanhares ao mudar o passo) marcha braquibásica (pequenos passos, arrastando os pés, virando devagar, como se tivesse calçados de chumbo).

b- Motricidade ativa dos segmentos: Verificar-se há paresias ou plegias. Pedir para o paciente movimentar todas as articulações. Por exemplo: fletir ou estender os dedos, aduzir e abduzir os dedos, fletir e estender o punho, braço, antebraço, etc. Os movimentos em determinado(s) segmento(s) pode(m) estar ausentes (plegia) ou diminuídos (paresia). De acordo com a região comprometida, teremos os seguintes termos: monoparesia ou monoplegia (diminuição ou ausência de movimento num membro), paraparesia ou paraplegia (diminuição ou ausência de movimento em membros inferiores), diparesia ou diplegia (diminuição ou ausência de movimentos nos membros superiores ou da face), hemiparesia ou hemiplegia (diminuição ou ausência de movimentos na face, membro superior e membro inferior de um lado), hemiparesia desproporcionada (quando um dos três segmentos, citados acima, estiver mais comprometido), hemiparesia ou hemiplegia alterna (diminuição ou ausência de movimentos, envolvendo grupos musculares inervados por um nervo craniano de um lado com hemiparesia ou hemiplegia de membros do lado oposto), quadriparesia ou tetraparesia ou quadriplegia ou tetraplegia (diminuição ou ausência de movimentos dos quatro membros).

c-Força muscular (note bem, não é a mesma coisa de alteração na motricidade ativa dos segmentos). Provas de contra-resistência e contra a força da gravidade. Classificar a diminuição da força muscular em graus (0,1,2,3,4 e 5). Provas de contra-resistência — colocamos nossa força contra todos os movimentos articulares do paciente e medimos, subjetivamente, sua força, comparando- a com nossos próprios padrões e com a força dos segmentos contralaterais homólogos. Exemplos: pedimos para o paciente abduzir seus braços contra uma resistência que o examinador faz, segurando os braços aduzidos contra o tronco, pedimos para o paciente apertar nossas mãos, as duas ao mesmo tempo, comparando a força das mãos, etc. Provas contra a força da gravidade — colocamos os membros superiores estendidos para frente, em ângulo de 90º com o tronco, com as mãos supinadas e os dedos abduzidos e estendidos. Nessa posição, o paciente deve permanecer por mais de um minuto. Havendo alterações nas posições dos braços, mesmo que seja apenas a adução dos dedos ou a tendência à pronação das mãos, há diminuição da força muscular, principalmente se esses achados forem unilaterais. Esta prova deverá ser feita, preferentemente, com o paciente sentado. Se estiver deitado, os braços deverão ficar num ângulo < 90º, em relação ao tronco, para a força da gravidade poder atuar sobre os mesmos. A seguir, examinamos os membros inferiores com o paciente deitado em supino. Pedimos para colocar os membros inferiores elevados com flexão da coxa sobre a bacia e da perna sobre a coxa em ângulos > de 90º (prova de manobra obstétrica ou de Mingazzini). A incapacidade de manter essa posição, por mais de um minuto, indica diminuição da força muscular dos membros inferiores que pode ser uni ou bilateral. Virando-se o paciente de bruços pedimos agora para fletir a perna sobre a coxa, mantendo em ângulo > 90º, entre os segmentos (prova de Barré).

d-Trofismo Muscular. Circunferência dos braços, antebraços, coxas e pernas. Atrofias ou hipotrofias musculares: primária ou miogênica, desuso, parietal. Hipertrofia e pseudo-hipertrofia. Examina-se o trofismo muscular pela inspeção, olhar locais de maior comprometimento como os interósseos, adutor do polegar, deltóide, cintura escapular, panturrilhas, coxas, etc. Quando houver dúvidas quanto à presença de assimetria, podemos medir com fita métrica os perímetros das coxas, pernas, braços e antebraços em lugares, previamente, marcados e simétricos. O trofismo muscular poderá estar aumentado em algumas doenças raras. O aumento do volume do músculo, no entanto, pode se dar pelo aumento de tecido fibroso conjuntivo (pseudo-hipertrofia).









e- Tônus muscular: Consistência muscular. Palpação. Passividade: balanço do segmento distal, através do proximal. Estensibilidade. Hipotonia e Hipertonia. (piramidal e extrapiramidal). Examina-se o tono muscular através da: a) palpação — observar a flacidez ou o enrijecimento anormal de cada músculo; b) balanceio do segmento distal, através do proximal — balança-se as duas mãos, solicitando do paciente que as relaxe o mais possível, através do movimento de vai e vem rápido do antebraço. A amplitude do movimento das mãos será proporcional ao grau de hipotonia ou hipertonia. Essa manobra deve ser feita, também, nos pés e será mais sensível, se houver assimetria do tono muscular. c) Estende- se o mais possível alguns grupos musculares, se, na flexão do antebraço sobre o braço, o punho alcançar o ombro há hipotonia, se, na fl
exão da perna sobre a coxa, o calcanhar alcançar a nádega, há hipotonia. Essa manobra poderá ser feita em todas as articulações, punhos, pés, ombros, coluna, etc. Hipertonia piramidal: estando o segmento estendido, na tentativa de fleti-lo (solicitando do paciente que fique relaxado) há uma resistência inicial e, vencida esta resistência inicial o movimento fica fácil, quase espontâneo até a flexão total do mesmo (sinal de canivete). Hipertonia extrapiramidal: estando o segmento fletido ou estendido, ao estendê-lo ou fleti-lo há resistências periódicas, como se fosse uma roda denteada. Este tipo de hipertonia poderá ser detectada supinando e pronando as mãos do paciente, ficando este, passivo em relação ao movimento imprimido pelo examinador. 4.2.7. Movimentos involuntários anormais. Localização. Freqüência. Regularidade. Amplitude. Relação com os movimentos voluntários e emoções. Tipo: coréia, atetose, balismo, tremores, mioclonias, distonia, fasciculação, tiques O exame é feito pela inspeção. Coloca-se o paciente sentado, com os braços estendidos para frente, mãos em pronação e dedos em adução. Pede-se ao mesmo tempo para o paciente colocar a língua para fora da boca. Nesta posição, podem surgir movimentos involuntários como tremores, asterixe, coréia, atetose, mioclonias, etc. Depois, pede-se ao paciente para fletir o antebraço e abduzir os braços, com as mãos em frente do rosto e os dedos indicadores estendidos, estando os demais dedos fletidos. Os indicadores devem estar próximos, um em frente ao outro, sem se tocarem. Nesta posição, observa-se melhor os tremores posturais e o bater de asa. “Bater de asa” caracteriza-se pelo movimento involuntário de abaixar e elevar os cotovelos, mantida a posição descrita acima. Estes e outros tipos de movimentos involuntários anormais como os tiques, balismo, distonias, fasciculação, etc. serão descritos em doenças específicas.


3.0 Exame dos pares cranianos



NERVO OLFATÓRIO

Através de quimiorreceptores distribuídos no epitélio olfativo (na cavidade nasal e nasofaringe) ele capta partículas de odor dispersas no ar e conduz estas informações às vias olfativas. Ao chegar ao córtex do giro parahipocampal e do úncus esta informação será analisada e comparada, se for o caso com outras.Devemos testar primeiramente as narinas separadamente para vermos se não há nenhuma forma de obstrução. Caso haja isto poderá afetar o exame. Caso estejam integras o exame continua, elas devem ser testadas, separadamente, solicitando-se que o paciente aspire algum odor conhecido dele (talvez pó de café ou álcool, com o cuidado de não irritar a mucosa nasal com as repetições do teste ou com exposição por muito tempo). Na verdade o ideal é repetir o teste com 3 ou 4 odores conhecidos do paciente.


Exame dos pares cranianos



NERVO ÓPTICO

Este nervo capta estímulos luminosos do ambiente. Logo após, estes são levados para áreas corticais específicas para sua análise (primariamente para área 17 e secundariamente, para análises detalhadas para áreas 18 e 19). Há basicamente 2 formas de se avaliar este nervo.


A primeira é através da acuidade visual simples. De maneira simplista podemos adaptar esta etapa colocando-se um objeto a cerca de 30 a 40 cm do paciente e perguntando a ele o que ele vê. Podemos testar até mesmo com nossos dedos, levantando 1 ou 2 e perguntando ao paciente quantos ele vê levantados.


A outra forma é com o exame dos campos visuais. Pode ser adaptado também ao movermos os dedos para um lado e outro, estando o paciente com a cabeça fixa e com um olho não examinado fechado. Assim ele acompanha o movimento dos dedos com os olhos sem mover a cabeça nos 4 quadrantes de cada campo visual. Logo verificamos se o paciente enxerga no seu campo visual central e nos periféricos (um de cada lado do paciente).


NERVOS OCULOMOTOR, TROCLEAR E ABDUCENTE- Estes 3 nervos são os responsáveis pelos movimentos do globo ocular. Desta forma solicitamos ao paciente que mantenha a sua cabeça imóvel durante o teste. Prosseguimos movimentando uma caneta no sentido do trabalho de cada um destes nervos (que obviamente estimulará um os mais músculos conforme seu trabalho específico veja no esquema abaixo) e notamos qual dos movimentos que o paciente não realiza. Desta forma suspeitamos de lesão de acordo com o movimento não realizado. Temos: O IV faz o paciente olhar para a ponta do seu nariz com os dois olhos (inferiormente e medialmente). O VI faz a abdução do globo ocular, fazendo o paciente olhar para o lado (com um dos olhos por vez). O I realiza todos os demais movimentos não realizados pelo VI e pelo IV. Não estão sendo citados aqui os músculos que cada nervo irá estimular para realizar estes movimentos, além da função autonômica do I nervo.

NERVO TRIGÊMEO

Este nervo é misto controlando os músculos da mastigação (pterigóide medial e lateral, temporal e masseter) e a sensibilidade da face. Resumidamente podemos testa-lo solicitando ao paciente movimentos como os da mastigação. Além disso, devido a sua porção sensitiva devemos testar a sensibilidade facial através das diversas sensibilidades: térmica (com tubos de ensaio com água fria e água quente), tátil (com escovas, pincéis ou esponjas de diferentes texturas), dolorosa (com uma agulha e pequenas espetadelas na face do sujeito), entre outras prováveis. Seja qual for a forma de sensibilidade testada o paciente deverá permanecer com os olhos fechados e deverá relatar o que esta sentindo; assim vamos tomando nota, passo a passo do que estamos observando. Lembrando que a porção sensitiva deste nervo divide-se em 3 ramos: oftálmico (responsável pela sensibilidade corneana e das porções próximas aos globos oculares), maxilar (região próxima as maxilas) e mandibular região próxima a mandíbula)

NERVO FACIAL

Também é misto e sofre lesão com certa frequência. Sua porção motora pode ser testada avaliando-se todos os músculos da mímica facial independentemente. Assim cada qual é testado e coloca-se ao lado, na ficha de avaliação, algumas particularidades sobre sua função (o quanto esta diminuída, se há movimentos irradiados, etc.). Para tal, obviamente há a necessidade de se lembrar da função dos músculos da mímica facial. Sua parte sensitiva pode ser testada solicitando-se ao paciente para ele degustar algo e tocar só com a parte anterior da língua (2/3 anteriores). Sua função visceral é testada observando-se sudorese da pele facial, lacrimejamento ou não em excesso, secreção mucosa nasal irregular, entre

NERVO VESTIBULOCOCLEAR

este é um nervo exclusivamente sensitivo e como seu próprio nome indica possui duas funções: Equilíbrio e audição. A função do equilíbrio esta relacionada ao posicionamento da cabeça e movimentos dela e pode ser testada segundo o teste de Romberg. Este autor no início do século passado observou a relação que a aferência visual tem com o equilíbrio. Em seu teste descreve que o paciente deve ficar em ortostatismo, com os pés próximos e não juntos e manter os olhos fechados. Desta forma o examinador nota queda do sujeito testado para algum lado, caso obviamente ele tenha algum tipo de lesão. O teste deve ser feito algumas vezes para que o examinador tenha certeza (3 ou 4 vezes são suficientes). Caso o sujeito caia cada momento para um lado ou para frente ou para trás, isto indicará uma provável disfunção cerebelar (Romberg verdadeiro ou cerebelar). Agora, caso o paciente caia sempre para o mesmo lado isto indicará, muito provavelmente uma disfunção labiríntica (Romberg labiríntico). Outros testes podem ser feitos como o de instabilidade lateral sentado, ou a observação de nistagmo (movimentos oscilatórios rítmicos dos globos oculares), tendência a marcha em latero-pulsão (marcha em que o paciente sempre tende a andar com discreta queda para o lado de sua lesão vestibular), entre outros. Esta porção pode ainda ser testada instilando-se água fria e quente pelos meatos acústicos externos do paciente (geralmente é feito pelo neurologista ou pelo otorrino este teste). Há outros 3 testes simples que podem ser feitos por nós fisioterapeutas e são bem simples. Solicita-se ao paciente para ele deitar sobre o decúbito que ele relata vertigem e cerca de meio minuto depois ele relatará nova vertigem (manobra de Nylen-barany). Em outro teste solicitamos que o paciente observe um objeto e depois de alguns segundos feche os olhos e aponte este objeto. Caso ele tenha alguma lesão vestibular ele apontará mais para o lado da lesão do em direção ao objeto. Podemos ainda solicitar ao paciente que fique em ortostatismo e feche os olhos (até aqui é igual ao teste de Romberg), logo após solicitamos que ele caminhe no mesmo local. Caso o sujeito tenha alguma lesão sua marcha será em rotação para o lado da lesão. Em todos os testes para equilíbrio ou disfunções vestibulares é indicado que se fique ao lado do paciente, pois ele pode oscilar fortemente e cair a qualquer momento; Além disso, devemos observar tonteiras e sensações de náuseas que o paciente pode relatar (em alguns casos mais graves o desconforto com estas sensações é tão intenso que o paciente pode vir a vomitar ou perder momentaneamente a consciência).

A audição é testada de maneira simples com o tique-taque de um relógio percebido pelo paciente ou com o esfregar de dois dedos próximos a cada orelha do paciente. A realização da prova de Weber pode ser de considerável valor (ou mesmo o teste de Rinné).


NERVO GLOSSOFARINGEO

Este nervo é misto sendo responsável pela sensibilidade do terço posterior da língua, faringe, úvula , tonsila, tuba auditiva, seios e corpos carotídeos. Além destas funções inerva autonomicamente a glândula parótida.

Suas funções são testadas basicamente observando-se a deglutição do sujeito (pode apresentar uma disfagia) e testando-se a gustação do terço posterior da língua.


NERVO VAGO


É o maior dos nervos cranianos, é misto e recebe a sensibilidade da faringe, laringe, traquéia, esôfago e das vísceras do tórax e do abdômen. Inerva autonomicamente todas as vísceras torácicas e abdominais.

Em sua semiologia notamos, quando o paciente abre a boca, o palato mole (ou músculo-membranoso) desviado para o lado da lesão na inspeção estática. Quando o paciente fala o desvio é para o lado são. O excesso de bocejos (frequência muito aumentada sem relação com sono do paciente) pode indicar lesão vagal. O reflexo do vômito ausente (quando estimulamos a região do palato mole ou a úvula com um algodão) pode indicar lesão do X par.


NERVO ACESSÓRIO

Este nervo exclusivamente motor geralmente é testado observando-se as funções dos músculos ECOM e trapézio que são inervados por ele. Respectivamente examinamos as rotações de cabeça e inclinações assim como a simples elevação dos ombros.




NERVO HIPOGLOSSO

O último dos nervos cranianos é responsável pela motricidade da língua. Desta forma sua semiologia fica reduzida a simples solicitação de protusão da língua do paciente. Caso o indivíduo tenha lesão a língua será projetada mais para o lado da lesão. Em alguns casos observamos fasciculações na língua, assim como hipotrofia do lado lesado.


. 4.0 COORDENAÇÃO MOTORA


Teste de Romberg é um exame neurológico que é usado para avaliar ao funículo posterior da medula espinhal que são essenciais para a propriocepção (localizar a posição das articulações) e sentido vibratório.Um teste Romberg positivo sugere que a ataxia é de natureza sensorial, ou seja, depende da perda da propriocepção. Um teste Romberg negativo sugere que a ataxia é de natureza cerebelar, ou seja, depende de disfunção localizada do cerebelo.O examinador deve pedir para o paciente permanecer em pé com os pés juntos, mãos ao lado do corpo e olhos fechados por um minuto. O examinador deve permanecer perto do paciente por precaução, já que este pode cair ou se machucar. O teste é considerado positivo quando se observa o paciente balançar, balançar irregularmente ou mesmo cair. A característica principal a ser observada é que o paciente se torna mais instável com os olhos. O teste de Romberg é positivo em doenças que causam ataxia sensorial como:

Doenças que afetem as colunas dorsais da medula espinhal, como tabes dorsalis (neurosífilis).
Doenças que afetam os nervos sensitivos (neuropatias sensoriais periféricas), como polirradiculopatia, desmilinizante inflamatória crônica.
Ataxia de Friederich

A disciplina de Semiologia Neurológica é predominantemente prática e que tem como objetivos:

1. Capacitar o aluno para a realização do exame neurológico (aprendizado da semiotécnica neurológica);

2. Promover o aprendizado dos termos técnicos relacionados às disfunções do sistema nervoso;

3. Estimular a compreensão e aplicação prática do diagnóstico topográfico em neurologia;

3. Colocar em prática os preceitos éticos na relação médico-paciente.

Publicado em 04/12/09 e atualizado em 12/12/17

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Duração: 30 dias

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  • Principais Vias Motoras (Trato Piramidal, Trato Rubroespinhal, Trato Vestibuloespinhal, Gânglios da Base e Alterações do Movimento).


  • Neurologia Adulta;


  • Considerações Sobre a Espasticidade e Rigidez;


  • Acidente Vascular Cerebral (AVC);


  • Doença de Parkinson;


  • Traumatismo Cranioencefálico (TCE).


  • Neurologia Infantil;


  • Marcos do Desenvolvimento Motor Normal de 0 a 12 Meses de Vida;


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    A distrofia muscular facioscapulohumeral (FSHD) é caracterizada por fraqueza muscular progressiva com envolvimento focal dos músculos da face, ombro e braço. Ela é a terceira forma mais comum de distrofia muscular com incidência de 1:20.000.

    Na forma clássica, os principais sinais clínicos são fraqueza facial bilateral, dificuldade em protrair os lábios e fechar os olhos, e comprometimento dos músculos da cintura escapular (ombros e braços), de maneira assimétrica, causando dificuldades para elevar os braços e fazendo com que as escápulas se tornem salientes (escápulas aladas). Estes sinais, associados à fraqueza da musculatura abdominal, podem provocar uma lordose lombar acentuada. Ambos os sexos podem ser afetados, mas, em média, os homens têm um quadro mais grave que as mulheres.

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    O início da manifestação clínica pode acontecer em qualquer época da vida, desde o início da infância até a vida adulta tardia, embora se manifeste principalmente durante a segunda década de vida. Entretanto, há muita variabilidade clínica e pessoas portadoras da mutação podem permanecer assintomáticas durante toda a vida.

    Na maioria dos casos, o comprometimento muscular é leve e a evolução da doença é lenta.

    O tratamento é sintomático, visando a prevenção da rigidez articular e da dor, recorrendo à mobilização passiva e administração de antálgicos. Nos casos graves pode ser necessário o suporte ventilatório. O tratamento cirúrgico envolve a fixação da escápula, o que pode levar a uma melhoria na amplitude de movimento dos braços.

    O curso Doenças Neuromusculares oferece ao profissional de fisioterapia conhecimentos sobre miopatias infantis, distrofias musculares, paralisias periódicas, esclerose lateral amiotrófica, neuroplasticidade e muito mais.

    A atrofia da musculatura da cintura escapular tem como corolário déficit dos segmentos proximais dos membros superiores, é comum o sinal de escápula alada, sendo habitual o relato de que a criança não consegue se pentear ou alcançar objetos em prateleiras mais altas. Como a fraqueza dos músculos fixadores da escápula, ao elevar os MMSS, existe deslocamento da escápula para cima, bloqueando a elevação até certo ponto, posteriormente existe atrofia e fraqueza dos músculos do braço, com relativa preservação dos deltóides, que com o tempo também irão atrofiar; com a evolução, geralmente na época em que os músculos do braço estão muito fracos, surge redução da força e sinais de envolvimento dos músculos do compartimento anterior das pernas.


    A doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em ...

    Video sobre doença de Alzheimer



    A doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos.

    É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as tarefas cotidianas.

    Outros sintomas incluem mudança da personalidade e da capacidade de julgamento.

    Atualmente pode ser diagnosticada, para fins de pesquisa, antes mesmo que o paciente apresente demência com incapacidade de realizar com independência as atividades básicas e instrumentais do dia a dia.

    Assista um video que fala sobre a doença


    A doença de Parkinson é um distúrbio progressivo do Sistema Nervoso Central (SNC), também sendo caracterizado pela degeneração dos neurônios...

    Benefícios da Fisioterapia na Doença de Parkinson





    A doença de Parkinson é um distúrbio progressivo do Sistema Nervoso Central (SNC), também sendo caracterizado pela degeneração dos neurônios, levando a uma produção de dopamina na substância negra, causando despigmentação da mesma, levando a acreditarmos na aceleração do processo de envelhecimento cerebral.

    A fisioterapia tem um papel muito importante na reabilitação do paciente parkinsoniano, pois promove a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, gerando movimentos funcionais que envolvam diversos segmentos do corpo, promovendo exercícios que possam manter os músculos ativos, além de preservar a mobilidade, enfatizando nos movimentos abdutores, extensores e rotatórios. Considerando a necessidade que o indivíduo com DP apresenta frente as diversas complicações e distúrbios acarretados pela doença e em meio a variedade de tratamentos fisioterapêuticos.

    Exercícios com treinamento repetitivos, ao serem realizados na fase inicial da doença, permitem um controle motor mais próximo do fisiológico e adequado quando houver maior deterioração da atuação dos gânglios da base, na evolução natural da doença. Entre os vários benefícios promovidos pelo treinamento, o aumento do tônus e força dos músculos envolvidos na marcha e também o equilíbrio promoveram ao indivíduo com DP melhora em suas passadas, ficando estas mais alargadas e com utilização dos membros superiores.

    A fisioterapia é empregada como tratamento adjunto aos medicamentos ou a cirurgia utilizada na DP. Mesmo assim ainda existem dúvidas acerca deste tratamento coadjuvante. Seu valor subestimado talvez se deva à comparação com o tratamento medicamentoso.

    A reabilitação deve compreender exercícios motores, treinamento de marcha (sem e com estímulos externos), treinamento das atividades diárias, terapia de relaxamento e exercícios respiratórios. Outra meta é educar o paciente e a família sobre os benefícios da terapia por exercícios. Devem ser avaliados os sintomas neurológicos, a habilidade para andar, a atividade da vida diária (AVD), a qualidade de vida (QV) e a integração psíquica.

    No momento, já existem profissionais que visam o acompanhamento multidisciplinar, contando com neurologistas experientes, fisioterapeutas doutores na área de DP e educadores físicos, indicando abordagens de tratamento domiciliares com exercícios físicos baseados em movimentos de diversas modalidades, tais como tai chi, boxe, canoagem, pilates e hidroterapia. Este programa contempla a evolução da doença, com diferentes intensidades de exercícios, os quais são executados em um período de 60 minutos.

    Síndrome de Pusher (SP) é uma patologia pouco conhecida por muitos, porém não menos importante e delicada, trata-se de uma alteração no ...

    Síndrome de Pusher e a Fisioterapia




    Síndrome de Pusher (SP) é uma patologia pouco conhecida por muitos, porém não menos importante e delicada, trata-se de uma alteração no controle postural de portadores de hemiparesia depois de um Acidente Vascular Encefálico (AVE).

    A Síndrome de Pusher, também conhecida como Síndrome do Não-Alinhamento, é considerada uma das mais intrigantes alterações do controle postural vertical que são encontradas em pacientes com lesão encefálica.

    O diagnóstico é realizado com base no histórico e exame clínico do paciente, onde procura os sintomas mais comuns da síndrome como: o abandono contralateral à lesão, ou seja, do lado parético, a assimetria de tronco agravada pelo ato de empurrar e a heminegligência corporal com importante falha proprioceptiva. É preciso diferenciar a síndrome de Pusher da síndrome da Heminegligência, o heminegligente também ignora o lado esquerdo do corpo e do ambiente, mas não possui a característica de se empurrar para o lado parético, evitando um falso diagnóstico.

    Os pacientes portadores da Síndrome de Pusher apresentam dificuldades em manter o equilíbrio e controle de tronco em situações estáticas e dinâmicas e apresentando alterações do alinhamento corpóreo. Em vez de se puxarem na tentativa de sustentarem seus hemicorpos paréticos, empurram-se em direção ao lado parético utilizando o membro não-afetado.

    A fisioterapia durante a reabilitação do paciente desta síndrome pode utilizar materiais no intuito de restaurar o equilíbrio e o alinhamento postural.
    É importante liberar a imobilidade da cabeça que se encontra em posição fixa, principalmente a inclinação lateral para o lado hemiplégico sem resistência, que pode ser feito através de indicações táteis.

    Além da fisioterapia motora convencional, o tratamento da síndrome de Pusher deve enfatizar a descarga de peso do lado parético, a auto-correção postural, o uso do sistema e das informações visuais como mecanismos de cueing e as terapias de estimulação e integração sensorial.

    Até a próxima!

    A esclerose lateral amiotrófica é uma doença de caráter degenerativo e de rápida progressão. Ela é é uma das principais doenças neurodegener...

    Esclerose Lateral Amiotrófica e a Fisioterapia





    A esclerose lateral amiotrófica é uma doença de caráter degenerativo e de rápida progressão. Ela é é uma das principais doenças neurodegenerativas, ao lado das doenças de Parkinson e de Alzheimer.

    Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa em que o sistema motor é tipicamente o primeiro e o mais drástico afetado. É a doença do neurônio motor mais comum em adultos. Embora reconhecida e caracterizada primeiramente por degeneração dos neurônios motores no córtex, tronco encefálico e medula espinhal. Sua causa é desconhecida.

    A fisiopatologia da doença caracteriza-se pela degeneração no neurônio motor superior (localizados no córtex motor) e inferior (localizados no tronco cerebral e na porção do corno anterior da medula espinhal). Com a progressão da doença ocorre à diminuição da força muscular, os músculos respiratórios, tronco, membros, cabeça e pescoço ficam comprometidos causando dependência funcional ao individuo acometido.

    As características clínicas da ELA são bem visíveis ao logo da evolução, porém sua causa não é totalmente esclarecida. Inicialmente surge em um dos lados do corpo, quando evolui para os neurônios mais superiores afetam respiração e deglutição. É uma espécie de fraqueza muscular progressiva. Alguns experimentos têm permitido concluir a correlação da doença com algum fator genético e/ou com a exposição deste indivíduo a algum outro fator ou fatores para o desencadeamento do processo de degeneração do motoneurônio.

    O tratamento fisioterapêutico abrange a fisioterapia motora na realização de alongamentos, exercícios aeróbicos, conforto e órteses de adaptações promovendo a manutenção muscular e na parte respiratória uma ação preventiva melhorando a assim a capacidade pulmonar, melhora das trocas gasosas, manter a mobilidade da caixa torácica, equilíbrio muscular toraco abdominal e manter a força inspiratória e expiratória.

    A morte é o único prognostico apontado pelos médicos que se deparam com o diagnóstico da Ela. Atualmente, uma abordagem multidisciplinar é preferível.

    As disfunções miccionais decorrentes de lesões neurológicas estão relacionadas a alterações de função do detrusor, esfíncter externo e/ou ...

    Disfunções Miccionais em Doenças Neurológicas




    As disfunções miccionais decorrentes de lesões neurológicas estão relacionadas a alterações de função do detrusor, esfíncter externo e/ou associações. Em uma classificação topográfica, as lesões neurológicas podem ser divididas em suprapontinas, medulares e subsacrais (cauda eqüina e nervos periféricos).

    As lesões suprapontinas desencadeiam, caracteristicamente, hiperatividade detrusora devido aos danos dos centros cerebrais inibitórios. Há um funcionamento sinérgico do detrusor e esfíncter externo da uretra, levando à incontinência de urgência. No entanto, podemos encontrar, ocasionalmente, contrações voluntárias do esfíncter externo com a tentativa de se evitar a incontinência (pseudodissinergia) e situações de espasticidade do assoalho pélvico (Doença de Parkinson). Nestas situações, observaremos hiperatividade detrusora neurogênica associada à dificuldade miccional e altas pressões vesicais).

    Entre as causas de lesões suprapontinas temos as várias formas de acidente vascular cerebral. Nestes pacientes, desenvolvese, em um número significativo de casos, uma fase de arreflexia ("choque cerebral"), que será substituída, após algumas semanas, por hiperatividade.

    Outra causa freqüente é a doença de Parkinson, em que as disfunções miccionais se traduzem por hiperatividade do detrusor, bradicinesia e espasticidade do esfíncter externo na fase avançada. O aumento da hiperatividade detrusora com a duração e gravidade da doença é controverso na literatura. As demências são também bastante freqüentes em pacientes idosos e a principal disfunção miccional é a incontinência, que é devida em grande parte à perda da função cognitiva, responsável pela continência social. Nos tumores cerebrais, as disfunções miccionais estão relacionadas ao local do cérebro afetado e às características próprias da lesão.

    Na Síndrome de Shy e Drager, que se caracteriza por disfunção autonômica generalizada, encontramos primariamente hiperatividade do detrusor, embora possamos
    detectar também disfunção do esfíncter externo.
    Nas lesões medulares, as disfunções miccionais dependerão das características de cada doença, da área medular afetada e da sua gravidade. Pode ocorrer envolvimento de fibras parassimpáticas, simpáticas e somáticas em graus variados, com uma combinação extensa de sinais e sintomas.

    Na esclerose múltipla, as lesões medulares são as principais responsáveis pelos sintomas miccionais, embora também possam contribuir as lesões cerebrais. Nesta doença, formam-se placas de desmielinização na substância branca do cérebro e medula, principalmente nas colunas posterior e lateral da medula cervical. Aparecerá hiperatividade detrusora (70% dos casos), sendo que em 50% destes casos pode ocorrer dissinergia detrusor-esfincteriana. Arreflexia do detrusor ocorre em 20% a 30% dos casos.

    Na mielite transversa, geralmente, há dificuldade de esvaziamento vesical no início, evoluindo depois para hiperatividade com ou sem dissinergia ou, então, arreflexia com esfíncter espástico. Quase sempre haverá alguma disfunção residual à avaliação urodinâmica. Em nosso meio, não podemos deixar de referir à mielopatia esquistossomótica,
    com relevante freqüência nas regiões endêmicas.

    Os pacientes afetados apresentam-se inicialmente com intensa dor lombo-sacra, irradiando-se para os membros inferiores, seguida por paraparesia e paraplegia. A dificuldade de esvaziamento vesical aparece geralmente concomitante e evolui rapidamente para retenção urinária. O diagnóstico baseia-se no encontro dos ovos do S. mansoni (oograma retal) e na sorologia liquórica. Aqueles com diagnóstico e tratamento tardios terão disfunções definitivas que variam de sintomas irritativos e obstrutivos, até retenção urinária.
    Entre outras doenças medulares que podem causar disfunções miccionais, podemos citar ainda: mielite tropical espástica, lesões vasculares, aracnoidites (auto-imunes, viróticas), tumores, estenose de canal medular, disrafismo, traumas, etc.

    As lesões periféricas de cauda eqüina e nervos periféricos são bastante freqüentes nas cirurgias radicais da pelve, como tumor de reto e histerectomia radical. Nestas ocasiões, podem ocorrer lesões variadas dos nervos parassimpáticos, simpáticos e pudendo. Assim, podemos encontrar sintomas relacionados à arreflexia do detrusor e/ou alterações variadas do funcionamento do esfíncter externo. Estes distúrbios tendem a desaparecer em 80% dos casos após seis meses do início da doença. Doença bastante comum e que pode evoluir com disfunções miccionais é o diabetes mellitus.

    As lesões neurológicas estão relacionadas a alterações do metabolismo da glicose ao nível dos nervos periféricos. As manifestações iniciais no trato urinário inferior são de perda da sensação vesical. Por isso, os pacientes tendem a desenvolver grandes volumes de urina na bexiga, que perde progressivamente sua força contrátil. Como geralmente são pacientes mais idosos, estas manifestações são agravadas por comorbidades, como hiperplasia prostática benigna, distopias vaginais, medicamentos, etc). A avaliação urodinâmica em pacientes com cistopatia diabética mostrou hiperatividade em 55% e arreflexia em 33% dos casos.

    Também podemos encontrar disfunções miccionais em outras doenças periféricas:

    • Herpes zoster: doença virótica que afeta os gânglios dorsais;
    • Doença de Lyme: leucoencefalite e polineuropatia;
    • Síndrome de Guillain-Barré: polineuropatia desmielinizante inflamatória, com predileção pelas raízes medulares.

    Leia o artigo completo, clicando aqui

    Publicado em 14/03/11 e revisado em 26/05/17


    Em situações normais, o cérebro fica contido e protegido pelo crânio, parte óssea, que configura uma caixa óssea fechada. O cérebro fica s...

    Intervenção da Fisioterapia na Hidrocefalia




    Em situações normais, o cérebro fica contido e protegido pelo crânio, parte óssea, que configura uma caixa óssea fechada. O cérebro fica situado interiormente no crânio, envolto por 3 camadas de membranas denominadas de meninges e suspenso por um líquido chamado Liquido Cefaloraquiano ou Líquor (LCR) (NEUROLOGIA ONLINE, 2004). O termo hidrocefalia vem do Grego e significa "água na cabeça". Na realidade a água é liquido cefalorraquidiano. . Para entender a hidrocefalia, é preciso compreender os mecanismos fisiológicos envolvidos desde a produção até a absorção do líquor.

    Grande parte do (LCR) é segregada pelos plexos coróides, uma estrutura presente no sistema ventricular do encéfalo. Ele passa de um ventrículo (temos 4 ventrículos: 2 ventrículos laterais, III ventrículo e o IV ventrículo) para o seguinte através de canais estreitos, circulando depois na superfície do cérebro - uma pequena parte desce pela medula - e é absorvido no sistema sanguíneo. Esta absorção realiza-se por veias especializadas dentro do crânio as quais têm uma superfície semelhante a uma peneira. Apesar de muito mais lentamente que a circulação do sangue, o LCR está em constante produção, circulação e reabsorção (ESPAÇO REAL MÉDICO, 2004). Teoricamente, poderia ocorrer o acúmulo de LCR nos ventrículos de 3 maneiras:

    a) pela produção excessiva de LCR
    b) por uma obstrução em qualquer ponto da circulação do LCR,
    c) por uma diminuição na absorção do LCR.

    Dentre estes 3 mecanismos, a obstrução à circulação do LCR é o mais freqüente. Resultante do acúmulo do LCR, os ventrículos dilatam, e a PIC aumenta, levando ao aparecimento de sinais e sintomas (NEUROLOGIA ONLINE, 2004).

    Incidência

    A hidrocefalia pode ocorrer imediatamente após a hemorragia, mas, em geral, evolui durante as semanas após a hemorragia intraventricular (HIV). Ela ocorre em 25% dos recém nascidos (RNs) com HIV (CLOHERTY, STARK, 2000).

    Causas

    Grande Prematuridade - Os bebês nascidos prematuramente correm o risco de desenvolverem hidrocefalia. A atividade da área que está logo abaixo da linha dos ventrículos no cérebro apresenta um rico suprimento sanguíneo. Seus vasos sanguíneos podem ser facilmente rompidos se o bebê sofrer uma mudança na pressão sanguínea ou na quantidade de fluído no sistema.
    Espinha Bífida - A maior parte dos bebês nascidos com espinha bífida têm hidrocefalia. Para além das lesões da medula espinhal existem anomalias na estrutura de certas partes do cérebro, que se desenvolvem antes do nascimento e que impedem a drenagem correta do CSF. Genética - Em circunstâncias muito raras a hidrocefalia está ligada a fatores hereditários.
    Hidrocefalia Congênita - Isto significa que a hidrocefalia já está presente na altura do nascimento. É importante salientar que este termo não implica que a hidrocefalia seja hereditária. Muitas vezes a causa exata da hidrocefalia congênita não pode ser determinada.

    Hemorragia Cerebral

    Meningite

    Tumores


    Tipos

    Segundo o site Espaço Real Médico (2004), existem dois tipos principais de hidrocefalia: obstrutiva (ou não-comunicante) e não-obstrutiva (ou comunicante). · A hidrocefalia obstrutiva resulta do impedimento da passagem do líquor internamente ao sistema ventricular, incluindo todos os forames que interligam os diversos ventrículos. Ela é a mais comumente encontrada em crianças sob um mecanismo etiológico que inclui alguma lesão do quarto ventrículo ou determinada anormalidade presente no aqueduto cerebral. A estenose do aqueduto pode ser originada a partir de variados processos mórbidos, que incluem anomalia hereditária de caráter recessivo ligado ao sexo, neurofibromatose, gliose (por meningite neonatal ou hemorragia subaracnóidea), infecções virais intra-uterinas, meningoencefalite da caxumba, e outras.

    Processos expansivos vizinhos em estruturas participantes da drenagem do LCR podem exercer efeito compressivo e, conseqüentemente, obstruir o fluxo, por exemplo, malformações venosas, processos neoplásicos, malformação de Dandy-Walker, malformação de Arnold-Chiari, e etc. · A hidrocefalia não-obstrutiva decorre de obliteração das cisternas subaracnóideas ou das vilosidades aracnóides. A hemorragia intraventricular é a causa da maioria dos casos de HI não-obstrutiva, principalmente em prematuros. Outras causas incluem leucemia e meningites e infecções intra-uterinas.

    Quadro Clínico

    As manifestações clínicas da hidrocefalia infantil vão depender de vários fatores, tais como idade do paciente, grau de fechamento das suturas cranianas e velocidade de progressão da pressão intracraniana. No lactente, como as suturas cranianas encontram-se em fase inicial de resolução, os sinais e sintomas são bastante exuberantes - o mais notável é o aumento do tamanho da cabeça em proporções muitas vezes graves. Além disso, inúmeras outras alterações relativas à cabeça, que não seu aumento de tamanho estarão presentes, como alargamento da fronte, fontanela anterior abaulada, veias superficiais dilatadas, sinal dos olhos em "sol-poente" (desvio para baixo). Síndrome piramidal (especialmente em membros inferiores), irritabilidade, anorexia e episódios de vômitos também são comuns (ESPAÇO REAL MÉDICO, 2004).

    Diagnóstico

    O diagnóstico baseia-se na anamnese, no exame clínico dirigido e no uso de ferramentas complementares, como US, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética (ESPAÇO REAL MÉDICO, 2004).

    Tratamento Clínico e Cirúrgico

    O tratamento invariavelmente dependente do distúrbio subjacente causador da hidrocefalia, e pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico só é realmente eficaz nos casos leves onde a causa pode ser removida sem terapêutica cirúrgica. Baseia-se no uso de acetazolamida, furosemida ou manitol. Estes medicamentos são mais utilizados para o controle da pressão intracraniana do que propriamente como um manejo terapêutico permanente da HI (ESPAÇO REAL MÉDICO, 2004). O tratamento cirúrgico mais comum para a hidrocefalia é a chamada derivação - um tubo plástico inserido inteiramente dentro da pele que cria uma nova via para o líquor, do cérebro a outra parte do corpo. A derivação controla a pressão por drenar o excesso de líquor, prevenindo então, o agravamento da condição. Entretanto, a derivação não cura a hidrocefalia e o dano ao tecido cerebral permanece. Este procedimento não é perfeito, pode ser mal-funcionante, coagular, causar infecção e mesmo se quebrar (CARDOSO, 2004).

    Prognóstico

    O índice de seqüelas em pacientes com HI é alto e a chave para reduzir este índice reside no diagnóstico preciso e rápido. As seqüelas estão na dependência da causa, porém, de uma maneira geral, inclui distúrbios de memória, capacidade diminuída de raciocínio e concentração, problemas de coordenação e na capacidade de motivação e organização. Efeitos físicos como problemas de visão e puberdade precoce também podem ocorrer (ASBIHP, 2004).

    Intervenção Fisioterapêutica

    Antes de qualquer intervenção é fundamental estabelecer um programa de atendimento fisioterapêutico que inclua a definição clara dos objetivos e a determinação de prioridades.

    1- Monotorização dos sinais vitais

    2- Fisioterapia respiratória

    2.1 Técnicas de Higiene Brônquica

    2.1.1 Vibração Torácica (CEFIR, 2004)

    A vibração torácica consiste em movimentos oscilatórios rítmicos e rápidos de pequena amplitude, exercidos sobre a parede do tórax com a intensidade suficiente para causar vibração em nível bronquial; uma freqüência ideal desejada situa-se entre 3 e 55 Hz e pode ser aplicada de forma manual ou mecânica. O efeito positivo desta técnica baseia-se na propriedade tixotrópica do muco, que se liquefaz quando submetido a constante agitação. Portanto concluiu-se que a alta freqüência transmitida aos tecidos pulmonares pode, por meio da vibração, modificar suas características físicas, facilitando a mobilização das secreções pela árvore traqueobrônquica. Um outro efeito teórico seria o de se aproximar de 13 Hz a freqüência dos cílios vibráveis, para amplificar, por concordância de fase, a amplitude dos movimentos ciliares. Existem também relatos na literatura que descrevem efeitos benéficos da vibração no relaxamento de músculos da parede torácica e na melhora da perfusão alveolar. A técnica manual é realizada pelas mãos do terapeuta que devem estar espalmadas, acopladas e com uma certa pressão, localizadas na região torácica escolhida; o punho e o cotovelo de quem aplica a manobra deverão permanecer imóveis realizando uma contração isométrica de seus membros superiores, produzindo e impulsionando movimentos vibratórios. Esse movimento é aplicado, acompanhando a cinética da caixa torácica durante a fase expiratória do ciclo respiratório. Apesar de a vibração ser considerada uma técnica segura quando realizada corretamente, ela está contra-indicada em bebês que apresentam aumento do desconforto durante o procedimento, em presença de efisema intersticial pulmonar extenso, pneumotórax não drenado e hemorragia pulmonar entre outros.

    2.1.2 Compressão Torácica (CEFIR, 2004)

    Como o próprio nome diz, a técnica consiste na compressão realizada na parede torácica durante a fase expiratória do ciclo respiratório de forma relativamente brusca objetivando a formação de fluxo turbulento por aceleração do fluxo expiratório intrapulmonar, objetivando a mobilização de secreções. Para aplicação da técnica, as mãos do fisioterapeuta devem estar dispostas no sentido anatômico dos arcos costais, com os dedos colocados entre os mesmos. A força compressiva deve ser distribuída igualmente entre a palma da mão e os dedos. A dor é uma manifestação muito freqüente, evidenciada durante o emprego da manobra. Isso dificulta e compromete os benefícios provenientes do recurso, devendo o fisioterapeuta dosificar seu esforço compressivo, sua técnica, e solicitar uma analgesia adequada se necessário. Esta manobra está contra-indicada em pacientes com osteopenia da prematuridade, plaquetopenia entre outros. Os benefícios dessa manobra têm sido relatados na literatura quando ela é aplicada isoladamente. Entretanto, tem-se demonstrado uma maior eficiência e eficácia na terapia quando esta é aplicada conjuntamente a outras manobras como a vibração.

    2.1.3 Drenagem Postural (CEFIR, 2004; OLIVEIRA; SANTOS, 2004)

    A drenagem postural pode ser considerada um recurso terapêutico simples, porém amplamente empregado na fisioterapia respiratória e apresentando excelentes resultados, principalmente quando associado às demais técnicas convencionais de higiene brônquica. Ela não é necessariamente um recurso mecânico, nem tampouco manual, mas sim um processo da própria natureza, baseado em um princípio físico, que é a ação de gravidade. A duração de cada posição de drenagem depende da tolerância do paciente. De uma forma geral, o recém-nascido é mantido em cada posição durante 2 a 5 minutos, quando associado à percussão e/ou vibração, ou cerca de 15 minutos se a manobra é aplicada isoladamente. Durante o procedimento, os sinais vitais devem ser monitorados continuamente. A decisão de qual segmento ou lobo pulmonar deve ser drenada e, conseqüentemente, a escolha da postura correta, é baseada na avaliação clínica cuidadosa e na análise dos raios X de tórax.

    OBS: Em crianças, pela gravidade, as posições assistidas podem ser usadas da mesma maneira, tomando-se algumas precauções principalmente quando se trata da inclinação de cabeça para baixo (trendlemburg) que deve ser evitadas em crianças com pressão craniana elevada e em neonatos com hemorragia peri/intraventricular, já que no recém-nascido, em particular no prematuro, o controle do fluxo sangüíneo cerebral é limitado, e nesta posição ocorrem variações no fluxo sangüíneo sistêmico e cerebral, predispondo a ocorrência tanto de lesões isquêmicas (leucomalácia periventricular) como das hemorrágicas (hemorragia peri/intraventricular).

    2.1.4 Reequilíbrio Tóraco Abdominal - Método RTA (OLIVEIRA; SANTOS, 2004)

    Quando se refere a um distúrbio respiratório, freqüentemente aborda-se a doença pulmonar em primeiro plano. Porém, deve-se estar atento ao fato de que o tórax é uma "bomba" e o pulmão é pouco efetivo sem esta "bomba" para movê-lo. Dentro das técnicas de fisioterapia respiratória, é reconhecido um método que incentiva a ventilação pulmonar por meio da normalização do tono, comprimento e força dos músculos respiratórios. O método RTA apóia-se no entendimento de que as disfunções respiratórias resultam em alterações musculares, posturais e sensoriomotoras. Este método foi assim denominado porque as alterações mecânicas resultantes de doenças pulmonares demonstram um desequilíbrio de forças entre os músculos acessórios da inspiração e expiração. Essas disfunções musculares modificam a configuração do tronco, alteram a geometria do tórax e do abdome bem como dificultam o funcionamento normal do diafragma e músculos acessórios, inspiratórios e expiratórios. Técnica: A técnica deste método consiste de um manuseio dinâmico sobre o tronco, em que o terapeuta deve atuar no sentido de suprir as falhas dos músculos respiratórios oferecendo pontos fixos, apoios e alongamento muscular para facilitar o funcionamento muscular normal.

    O método RTA aborda a desobstrução brônquica por meio de incremento ventilatório, movimentação fina e qualitativa do tórax e normalização da tonicidade abdominal.

    Evitar:

    - Flexão de pernas sobre tronco;

    - Hiperextensão e hiperflexão cefálica;

    - Fraldas apertadas (dificultando a projeção das vísceras para frente com conseqüente diminuição da expansibilidade diafragmática);

    - Rotação do pescoço- Em decúbito dorsal, manter a cabeça na linha média e elevada à 30°, pois nesta situação a pressão intracraniana é menor. Rotação abrupta da cabeça para o lado causa obstrução da veia jugular ipsilateral e aumento na pressão intracraniana.

    2.1.5 Aspiração das Secreções

    Deve-se avaliar se há necessidade para tal procedimento; pré-oxigenar (aumentar em 20% de oxigênio antes de cada aspiração); realizar em período de curta duração (a aspiração remove não só a secreção como também os gases na árvore traqueobrônquica e alveolar, dependendo da maneira como é realizada, logo, a quantidade de oxigênio disponível à circulação arterial pode ser severamente reduzida se a aspiração se prolongar por mais de 10 segundos) e ventilar entre as aspirações (conectar o RN ao ventilador entre as aspirações) (OLIVEIRA; SANTOS, 2004).


    3 Fisioterapia Motora

    3.1 Mudança de Decúbito e Posicionamento (OLIVEIRA; SANTOS, 2004)

    A alternância periódica dos decúbitos, além de ser benéfica na melhora da função pulmonar e favorecer o desenvolvimento neurossensorial e psicomotor, propicia maior conforto ao bebê e previne a formação de escaras de decúbito. Por exemplo, vários estudos demonstraram vantagens da postura prona com relação à supina no sentido de otimizar a mecânica ventilatória de neonatos com insuficiência respiratória. Nessa posição, a caixa torácica torna-se mais estável e observa-se melhor acoplamento tóraco-abdominal, favorecendo os músculos respiratórios a expandir o tórax, além de minimizar as distorções da caixa torácica que podem ocorrer durante o sono REM.

    Estes fatos proporcionam aumento do volume corrente com melhora da oxigenação arterial e da complacência pulmonar. Deve ser evitada a permanência prolongada do neonato em uma mesma posição. Por exemplo, na posição em decúbito dorsal, somente a porção anterior dos segmentos superiores é drenada e, com o tempo, progressivamente, os lobos inferiores sofrem hipoventilação.

    -Posicionamento em decúbito ventral: Posicionar o bebê em decúbito ventral significa oferecer melhor estabilidade à caixa torácica e conseqüentemente, maior acoplamento torácico abdominal, facilitando aos músculos respiratórios a expansão do tórax altamente complacente dos RN pré-termos. Nesta postura, a musculatura recebe maior estímulo tátil e proprioceptivo, tornando-o mais efetivo.

    Quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor, o posicionamento em prono facilita uma postura mais flexora pela ação da gravidade, e o RN permanece mais tempo em estado de sono quieto, desorganiza-se menos e chora com menor freqüência. O decúbito ventral minimiza os efeitos do reflexo gastroesofágico e reduz os riscos de aspiração. No entanto, a posição da cabeça pode alterar a resistência ao fluxo aéreo por deformação das vias aéreas superiores e do tubo endotraqueal além de limitar a excursão abdominal por tempo prolongado podendo aumentar o trabalho respiratório.

    -Posicionamento em decúbito dorsal: O RN fica mais desorganizado, sendo este posicionamento mais freqüente, no momento da aspiração, ou quando alguma patologia não permite que se coloque o RN em prono, como nos primeiros momentos da colocação do catéter umbilical ou cirurgia recente.Pode trazer efeitos não desejados ao bebê, como hiperextensão de pescoço, elevação de ombros, retração escapular, achatamento da cabeça. Não promove flexão, permitindo maior efeito da gravidade, dificultando as atividades de linha média, sendo mais estressante (mais alterações de sono, mais sustos e maior agitação).

    -Posicionamento em decúbito lateral: É uma postura vantajosa sob o aspecto do desenvolvimento neuropsicomotor, pois facilita a flexão ativa ao nível do tronco e quadril, a melhor orientação entre mão e a linha média e entre a mão e a boca, que favorecem desenvolvimento da auto-organização e simetria. Além disso, o decúbito lateral direito auxilia no esvaziamento gástrico pós-gavagem. O decúbito lateral esquerdo parece favorecer a redução na duração dos episódios de refluxo gastroesofágico.

    3.2 Estimulação Tátil e Cinestésica (OLIVEIRA; SANTOS, 2004)

    A intervenção por meio de estímulo táteis suaves ao longo do corpo do bebê e da estimulação cinestésica com movimentos passivos articulares pode ser benéfica ao RNPT, propiciando um maior ganho de peso diário, uma melhor qualidade do estado de alerta, habituação e tono muscular. A estimulação tátil parece ser benéfica quanto à redução na incidência de episódios de apnéias e bradicardia.

    O toque suave pode ter apenas o objetivo de proporcionar ao bebê uma experiência não dolorosa. Em um estudo realizado com bebês mecanicamente ventilados, foi verificado que a simples colocação das mãos sobre o abdome e a cabeça do bebê proporcionou melhoras nas respostas da atividade motora e interferiu no período de duração da ventilação mecânica, reduzindo o período de intubação. Entretanto é necessário ressaltar que essas intervenções sejam realizadas respeitando-se o estado comportamental em que o bebê se encontra.

    Há bebês, principalmente RNPRs extremos em situação clínica instável que podem não tolerar o manuseio, apresentando respostas fisiológicas negativas, tais como hipoxemia, bradicardia, apnéia e irritabilidade. Os pais devem ser incentivados a tocar o seu bebê e visita-lo com freqüência, sendo isto benéfico para se reestabelecer o vínculo na relação pais/bebê e acelerar a sua recuperação.

    OBS: Também a estimulação sistemática dos reflexos nos RN pré-termos promove uma maior atividade das estruturas encefálicas, contribuindo para sua maturação.

    3.3 Estimulação proprioceptiva

    Realização de movimentos de distal para proximal, com estabilização das articulações do tornozelo, joelho e quadril, quando em MMII; de punho, cotovelo e ombro, quando em MMSS (ABREU et al, 2003).

    "DEVE-SE RESSALTAR QUE NA MAIORIA DOS RNs UMA BOA POSIÇÃO E A MANUTENÇÃO DO VOLUME PULMONAR SÃO MAIS BENÉFICAS DO QUE O USO DAS MANOBRAS." Conclusão Pelo que foi exposto, pode-se verificar que é de suma importância à realização da fisioterapia em neonatos com diagnóstico de hidrocefalia, visto que todas as manobras são fundamentadas e direcionadas à melhora ou manutenção das condições clínicas e fisiológicas destes pacientes.

    É importante salientar que em alguns recém-nascidos uma boa posição e a manutenção do volume pulmonar são mais benéficas do que o uso de manobras específicas. Faz-se indispensável ressaltar que não é o objetivo desse estudo que a proposta aqui lançada seja a única conduta a ser tomada frente a esses pacientes e sim, apresentar uma possibilidade de tratamento a ser seguido.

    Autoras:

    Rafaela de Araújo Wanderley,

    Andréia Queiroga Lima Peluso

    Fonte

    Terapia manual é um termo genérico utilizado para designar um conjunto de técnicas terapêuticas utilizadas pelo fisioterapeuta para prevenir...

    Indicações para a Mobilização Neural


    Terapia manual é um termo genérico utilizado para designar um conjunto de técnicas terapêuticas utilizadas pelo fisioterapeuta para prevenir e tratar as mais variadas disfunções.



    Um dos princípios da terapia manual é o de que o paciente deve ser avaliado como um todo, investigando dores e disfunções, detectando anormalidades do movimento, testando tecidos estruturais anatômicos para formar um programa de tratamento relacionado diretamente com os achados da avaliação. Já que o sistema musculoesquelético subdivide-se em componentes musculares,  articulares e neurais, e para cada um desses sistemas, a terapia manual possui ferramentas específicas para aplicabilidade.

    CURSO ONLINE DE MOBILIZAÇÃO NEURAL

    Nesse post, falaremos um pouco sobre a mobilização neural, que é um conjunto de técnicas que visam colocar o neuroeixo em tensão e alongá-lo por meio de mobilizações específicas.

    A Mobilização Neural possui um ponto de vista diferenciado porque ela visa o Sistema Nervoso como um todo. A partir do momento em que paramos de enxergar uma lesão/disfunção de um nervo periférico como local e passamos a perceber que o que ocorre é uma alteração no sistema nervoso (incluindo o central, periférico e autônomo) como um todo, ficamos mais perto de devolver o paciente ao seu dia a dia mais funcional.

    Embora a técnica de mobilização neural não seja amplamente difundida, a ideia de aplicar um tratamento mecânico para o tecido neural não é nova.

    O foco da técnica é de devolver a mecânica neural ideal para esse sistema através de técnicas de deslizamento e tensionamento. Podemos utilizar a técnica em pacientes com:

    - Lesões neurais periféricas;
    - Lesões de plexo braquial;
    - Algumas patologias neurológicas centrais que cursam com perda de força ou alteração de sintomas de maneira periférica;
    - Perda de mobilidade articular após longo tempo de imobilização;
    - Lombociatalgias;
    - Cervicobraquialgias;
    - Síndrome do túnel do carpo;
    - Sintomas neurológicos periféricos pós-trauma e/ou fraturas;
    - Casos de falso 'encurtamento' muscular, onde uma alteração mecânica neural, pode provocar uma perda de mobilidade articular, mesmo sem sintomas neurais.

    O profissional que trabalhar com essa técnica deve ter a visão do paciente como um todo, lembrar que todo paciente neurológico também é ortopédico e focar em atividades funcionais para recuperar um padrão de movimento pois o cérebro não reconhece músculos e sim padrões de movimento.

    Ele também deve criar metas junto ao paciente e utilizar os recursos terapêuticos manuais para ganho de função, como técnicas ditas ortopédicas, como maitland, mulligan, mobilização neural, entre outras

    Tumores cerebrais são todas as lesões ou massas expansivas dentro do crânio que surgem devido a multiplicação desordenada de células n...

    O que são tumores cerebrais?



    Tumores cerebrais são todas as lesões ou massas expansivas dentro do crânio que surgem devido a multiplicação desordenada de células normais ou anormais. Os tumores podem ser originários das células do próprio cérebro e estes são chamados de tumores de células gliais. Alguns outros são originários das membranas que recobrem o cérebro e são os tumores das meninges ou meningeomas. Pelo fato de termos nervos que saem do cérebro, podemos ter tumores das bainhas dos nervos que são chamados neuromas ou neurinomas. Por fim, temos os tumores que são originários de outros órgãos ou tecidos que podem se disseminar pelo sangue, que são os chamados tumores metastáticos.
    A medula também faz parte do sistema nervoso central e, portanto, pode apresentar o mesmo tipo de tumores descritos para o cérebro.

    Como se desenvolve?

    Não há uma causa única, mas diversas causas para o surgimento de tumores cerebrais.

    Foram identificados alguns genes que podem levar ao surgimento de tumores pelo corpo como no cérebro que são chamadas facomatoses. Outra causa de tumores são as radiações que são usadas para tratar tumores, mas que podem levar ao surgimento de outros.

    Algumas substâncias químicas também foram apontadas como prováveis indutoras de tumores cerebrais, mas até o momento não existe uma comprovação exata.

    A última hipótese é que alguns dos tumores cerebrais sejam induzidos por vírus, pois em alguns pacientes com gliomas houve positividade na sorologia do herpes vírus nestes pacientes.
    O que se sente?

    Os sintomas são bastante variáveis, porém de um modo geral são: cefaleia (preferencialmente pela manhã), vômitos em jato, perda de coordenação motora, tontura, perda de visão, perda de audição, dor no rosto, perda de força em um lado do corpo, perda de sensibilidade nos braços.

    Somente a correlação destes sintomas e da história clínica do paciente pode levar a suspeita de tumor cerebral, pois muitos destes sintomas são inespecíficos.

    Como o médico faz o diagnóstico?

    O médico neurologista faz o diagnóstico com o auxílio da história do paciente e exames neurológicos detalhados levam à suspeição de um tumor cerebral.

    O diagnóstico de certeza de um tumor cerebral é dado por exames complementares como a tomografia computadorizada e da ressonância nuclear magnética o eletroencefalograma e raios-X de crânio e/ou coluna.

    Como se trata?

    O tratamento dos tumores cerebrais é muito variado, pois existem vários tipos de tumores em lugares também distintos.

    Como regra geral os tumores cerebrais são de indicação cirúrgica. Caso sejam benignos, únicos, com a remoção completa poderá haver cura.

    Nos casos de tumores múltiplos (metástases), malignos e com ressecção incompleta, o tratamento pode ser cirurgia para diagnóstico com complementação de radioterapia e quimioterapia, quando necessário.

    A neuropatia periférica costuma produzir alterações como perda da sensibilidade, debilidade e atrofia musculares ou alteração do funcio...

    Objetivos da fisioterapia nas lesões nervosas periféricas



    A neuropatia periférica costuma produzir alterações como perda da sensibilidade, debilidade e atrofia musculares ou alteração do funcionamento dos órgãos internos. Os sintomas podem aparecer isolados ou em combinação de alguns deles. Por exemplo, os músculos que dependem de um nervo lesionado podem apresentar debilidade e atrofia. Pode surgir formigueiro, edema e rubor em diferentes partes do corpo. Os efeitos podem ser consequência da afecção de um único nervo (mononeuropatia), de dois ou mais nervos (mononeuropatia múltipla) ou de muitos nervos, simultaneamente, por todo o corpo (polineuropatia).

    Há alguns objetivos na reabilitação de Lesões Nervosas Periféricas que devem ser traçados através de uma avaliação individualizada:

    - restaurar a capacidade funcional do paciente;
    - auxiliar e promover o retorno do paciente as suas funções cotidianas normais;
    - ensinar o paciente a ser o mais independente possível, mesmo com suas alterações funcionais;
    - relembrar como realizar os movimentos perdidos com a lesão;
    - orientar maneiras de os familiares ajudarem o paciente;
    - ensinar exercícios para os familiares realizarem com o paciente em casa;
    - prevenir deformidades decorrentes do mau uso do membro afetado;
    - reduzir aderências da pele provenientes de cicatrizes;
    - melhorar a circulação local e global;
    - prevenir atrofia, ou seja, perda da massa muscular (parece que faz um buraco profundo na pele);
    - estimular a movimentação ativa global;
    - estimular os músculos paralisados;
    - evocar o retorno da sensibilidade;
    - fortalecer os músculos, evitando fraqueza muscular;
    - alongar os músculos pouco usados e os paralisados;
    - aliviar a dor;
    - melhorar a postura;
    - orientar órteses;
    - manter ou melhorar a função dos músculos respiratórios;
    - melhorar a coordenação motora;
    - promover a estabilidade das articulações ("juntas");
    - e, finalmente, trazer maior satisfação ao paciente.




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