quarta-feira, 16 de abril de 2014

Regeneração das Lesões Nervosas Periféricas

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Após a lesão nervosa ocorrem uma série de alterações no corpo celular do neurônio, conhecidas por cromatólise. Neste processo, o retículo endoplasmático condensado, conhecido como substância de Nisll, se dispersa pelo citoplasma da célula, o núcleo e nucléolo aumentam de tamanho e se dirigem para a periferia da célula, aumenta a quantidade de DNA e RNA; e a célula se prepara para um processo de metabolismo intenso, produzindo o axolasma que irá invadir o tubo endoneural distal. A velocidade de produção do axoplasma permite uma regeneração nervosa, em humanos,de cerca de 1 a 2 milímetros por dia.

Grupos de fibras nervosas, em diferentes níveis, podem ser lesados por trauma mecânico, térmico, químico ou por isquemia; e o prognóstico da lesão depende tanto do mecanismo do trauma, quanto do nível em que a estrutura nervosa foi lesada.

Dependendo do tipo de trauma e de lesão há variação na conduta a ser tomada. Os ferimentos causados por trauma mecânico com elemento cortante são de diagnóstico mais simples e devem ser tratados pela reconstrução cirúrgica.

Classicamente, os causados por arma de fogo de pequeno calibre são tratados, inicialmente, não cirurgicamente, por cerca de 60 dias, antes de se estabelecer a conduta definitiva, dependendo de sua evolução. As lesões nervosas graves causadas por frio são raras em nosso país. Ocasionalmente ocorrem neuropraxias a frio após uso excessivo de bolsas de gelo por esportistas, por exemplo.

As ocasionadas pelo calor e por substâncias químicas também são raras. As causadas por compressão são de maior ou menor gravidade dependendo do tempo de isquemia provocado. Elas podem ser provocadas por tumores, hematomas, saliências ósseas, entre outras; ou por pressão de um torniquete, uma faixa de Esmarch e mesmo uma imobilizacão provisória. Cada um destes agentes podem causar alterações anatomopatológicas diferentes de acordo com o nível de acometimento da fibra nervosa.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

O que é Nevralgia do trigêmeo?

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A neuralgia do trigêmeo é um distúrbio nervoso que causa uma dor aguda ou semelhante a um choque elétrico em partes do rosto.

A dor da neuralgia do trigêmeo vem do nervo trigêmeo. Esse nervo transmite dor, sensibilidade e outras sensações do cérebro à pele do rosto. Pode afetar parte ou todo o rosto e a superfície dos olhos.

A doença em geral afeta adultos mais velhos, mas pode afetar pessoas de todas as idades. A neuralgia do trigêmeo pode ser parte normal do processo de envelhecimento.

A neuralgia do trigêmeo pode ser causada por:

  • Esclerose múltipla
  • Pressão no nervo trigêmeo por um vaso sanguíneo inchado ou um tumor

Frequentemente, nenhuma causa específica é encontrada.

Os médicos têm maior probabilidade de encontrar uma causa em pacientes com menos de 40 anos.

Geralmente, o exame neurológico é normal.

Os testes que podem ser feitos para detectar a causa do problema incluem:

  • Exames de sangue
  • Ressonância magnética da cabeça
  • Teste de reflexo do trigêmeo

Sintomas de Nevralgia do trigêmeo
  • Espasmos muito dolorosos similares a choques elétricos agudos que geralmente duram alguns segundos ou minutos, mas podem se tornar constantes
  • A dor geralmente é de um só lado do rosto, muitas vezes ao redor do olho, bochecha e parte inferior do rosto.
  • A dor pode ser desencadeada pelo toque ou por sons
  • Escovar os dentes
  • Mastigar
  • Beber
  • Comer
  • Tocar a face suavemente
  • Fazer a barba
Tratamento de Nevralgia do trigêmeo

Seu clínico geral, um neurologista e um especialista em dor podem estar envolvidos no tratamento.

Certos medicamentos às vezes ajudam a reduzir a dor e a frequência dos ataques. Esses medicamentos incluem:

  • Drogas anticonvulsivas (carbamazepina, gabapentina, lamotrigina, fenitoína, valproato e pregabalina)
  • Relaxantes musculares (baclofeno, clonazepam)
  • Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina ou carbamazepina)

Alguns pacientes podem necessitar de cirurgia para aliviar a pressão no nervo. Entre as técnicas estão:

  • Cortar ou destruir parte do nervo trigêmeo
  • Cirurgia estereotáxica
  • Cirurgia para remover um vaso sanguíneo ou tumor que esteja pressionando o nervo trigêmeo
Expectativas

O seu estado depende da causa do problema. Se não houver nenhuma doença subjacente, algumas pessoas consideram que o tratamento oferece ao menos um alívio parcial.

Porém, a dor pode se tornar constante e severa em alguns pacientes.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

11 principais problemas neurológicos

Neurologia

A neurologia talvez seja uma das especialidades mais complexas da medicina. Se não a mais difícil, é desafiadora e tem particularidades muito especiais. Além de uma série de diagnósticos primariamente neurológicos, a neurologia ainda tem uma interface com inúmeras outras especialidades: psiquiatria, endocrinologia, otorrinolaringologia, cardiologia, reumatologia, hematologia, dermatologia, etc.

Veja os 11 principais problemas, que podem estar interligados com outras especialidades.
  1. Doença de Alzheimer e outras demências
  2. Doença de Parkinson
  3. Cirurgia para Doença de Parkinson
  4. Dores de cabeça (cefaleias)
  5. Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  6. Transtornos do sono (insônia, síndrome das pernas inquietas e apneia do sono)
  7. Epilepsias (convulsões)
  8. Esclerose Múltipla
  9. Miopatias (problemas musculares)
  10. Neuropatias (problemas de nervos periféricos)
  11. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade em adultos

1. Doença de Alzheimer e outras demências

Assim como a população mundial, os brasileiros estão envelhecendo. O impacto disso é que estaremos cada vez mais diante da difícil situação entre “perda de memória” relacionada ao processo normal de envelhecimento e “perda de memória” associada a doenças neurológicas degenerativas como, por exemplo, a doença de Alzheimer. De fato, a idade é considerada o fator de risco predominante não modificável para o desenvolvimento da doença de Alzheimer, a principal doença neurodegenerativa em nosso meio e que afeta significativamente não só o paciente, mas toda a família, tanto do ponto de vista social quanto psicológico e econômico. Assim sendo, é fundamental que o neurologista saiba distinguir prontamente a perda de memória relacionada à idade da perda de memória associada, por exemplo, à doença de Alzheimer. Embora ainda não exista um tratamento definitivo, a qualidade de vida e as atividades diárias melhoram significativamente quando se faz o diagnóstico precoce e o paciente recebe o devido tratamento.


2. Doença de Parkinson

Considerada a segunda doença neurodegenerativa mais comum, o Parkinson afeta uma em cada 100 pessoas acima dos 65 anos. Seu sintoma mais comum é o tremor, embora haja outros sinais até mesmo mais típicos, como a lentidão dos movimentos. Entre todas as doenças neurodegenerativas, a doença de Parkinson é, sem dúvida, a que conta com o mais amplo arsenal terapêutico, incluindo desde o tratamento com medicações até cirurgia. Quanto antes o tratamento for iniciado, mais recompensador será para o paciente, seus familiares ou cuidadores. Deve-se, contudo, prestar atenção a uma série de diagnósticos diferenciais que podem se “confundir” com a doença de Parkinson. Cabe ao neurologista perspicaz fazer essa distinção.


3. Cirurgia para Doença de Parkinson

Lentidão de movimentos, rigidez muscular, tremores e alterações no equilíbrio são os principais sintomas da doença de Parkinson, doença degenerativa que acomete cerca de 200.000 brasileiros. Felizmente, a grande maioria dos casos apresenta boa resposta às medicações, em particular, aquelas que repõem dopamina (levodopa e agonistas dopaminérgicos), principal substância que diminui no cérebro desses pacientes, levando aos sintomas motores.


4. Dores de Cabeça (cefaleias)

Quem nunca sentiu dor de cabeça? Na verdade, apenas um grupo seleto de menos de 5% da população do nosso País. Estima-se que a maioria dos brasileiros tem ou terá pelo menos um episódio de dor de cabeça ao longo da vida. A verdade, porém, é que muitos acabam desenvolvendo o que chamamos de “cefaleia crônica”, sintoma que muitas vezes ocorre quase todos os dias ou até mesmo diariamente. A boa notícia é que hoje, o neurologista trata esse problema com um amplo arsenal de recursos disponíveis, tais como medicações preventivas (que evitam que a pessoa tenha dor) e, em casos mais específicos, com toxina botulínica.


5. Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de sequelas e morte entre todas as doenças neurológicas. Muito frequente em nosso meio, especialmente em um País onde a quantidade de pessoas com pressão alta, diabetes e tabagismo é significativa, cabe ao neurologista reconhecer os sintomas do AVC, geralmente de instalação súbita (perda da fala, visão, sensibilidade ou força), tratá-lo rapidamente, prevenir sequelas e iniciar prontamente um trabalho de reabilitação.


6. Transtornos do Sono (insônia, síndrome das pernas inquietas e apneia do sono)

Imaginar um longo dia de trabalho pela frente sem conseguir dormir adequadamente à noite é um problema que afeta milhares de brasileiros todos os dias. Problemas de sono como insônia, síndrome das pernas inquietas e apneia do sono interferem de maneira significativa na qualidade de vida e estão certamente entre as principais causas de baixa produtividade. Além disso, muitas vezes são sequer reconhecidos como um “problema” e passam despercebidos pelos pacientes e seus médicos. Cabe então ao neurologista atento perceber que, muitas vezes, aquela pessoa com queixas frequentes de memória, atenção, dores de cabeça, mau humor, etc. tem, na verdade, um problema de sono, como insônia crônica ou apneia de sono, para a partir daí oferecer o tratamento mais adequado para cada situação. Nesse sentido, é gratificante ouvir pacientes e cônjuges falando sobre a satisfação de voltar a ter uma “noite tranquila de sono”.


7. Epilepsias (Convulsões)

Infelizmente, ainda há muito estigma quanto à epilepsia, um problema neurológico muito comum em crianças e adolescentes e que também afeta inúmeros adultos no Brasil. Isso precisa mudar e, hoje, até a legislação brasileira tem caminhado na direção de cada vez mais incluir o portador de epilepsia na sociedade. Assim sendo, foi-se o tempo em que não se podia fazer isso ou aquilo. O epiléptico bem controlado, que toma a sua medicação regularmente e faz o devido acompanhamento com seu neurologista tem hoje exatamente os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão brasileiro, ou seja, não é diferente de ninguém. Cabe ao neurologista, portanto, auxiliar o seu paciente e engajá-lo em um tratamento responsável e de longo prazo, proporcionando um ciclo virtuoso livre de crises, além de estabelecer metas e prazos para os indivíduos cuja medicação poderá vir a ser retirada.


8. Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla pode ter uma apresentação clínica muito variada, com sintomas neurológicos recorrentes que podem “melhorar” por si só com o tempo (perda da visão, alteração de sensibilidade, dificuldade para caminhar, etc.). Ocorre normalmente em mulheres jovens, entre os 20 e 35 anos, sendo um problema relativamente comum que leva os pacientes a procurarem a opinião de um neurologista. O primeiro cuidado necessário com a esclerose múltipla é saber que existem diversas outras doenças neurológicas e não neurológicas que se “confundem” com ela. Dessa forma, cabe ao neurologista buscar a melhor explicação possível para o problema do paciente. Mais recentemente, tornou-se disponível, inclusive no Brasil, formulação oral (através de comprimidos) para o tratamento imunomodulador, além disso, existem hoje diversos tratamentos disponíveis para a esclerose múltipla, entre os quais injeções (subcutâneas) e suporte para o paciente oferecido por laboratórios, que disponibilizam enfermeiras para irem à casa do paciente para ensinar como aplicar as injeções e como lidar com os possíveis efeitos colaterais, entre outros. Mais recentemente, tornou-se disponível, inclusive no Brasil, formulação oral (através de comprimidos) para o tratamento imunomodulador. O neurologista determina o correto diagnóstico e tratamento e orienta pessoas próximas ou cuidadores do paciente sobre como oferecer o suporte mais adequado.


9. Miopatias (problemas musculares)

As miopatias, que são doenças estritamente relacionadas aos músculos, não são comuns no dia-a-dia do clínico geral ou mesmo do neurologista geral. Isso acaba se tornando um problema porque passam despercebidas. Assim sendo, cabe ao neurologista atento verificar se muitas queixas de cansaço, fadiga, desempenho físico ruim, especialmente no caso de esses sintomas “flutuarem” ao longo do dia, são na verdade um problema relacionado aos músculos, ou mais especificamente, à junção neuromuscular. Entre os problemas mais comuns ligados à essa condição está a miastenia gravis, doença da junção neuromuscular que tem tratamento, mas que, quando não reconhecida, leva o doente a vivenciar várias dificuldades em suas tarefas diárias. Entre os sintomas mais comuns, estão: queda da pálpebra de uma lado, fraqueza nas pernas e braços, dificuldade para falar, engolir e, em casos mais graves, até para respirar. É fundamental perceber que muitas vezes a “pista” para o diagnóstico vem do caráter “flutuante” dos sintomas, ou seja, o paciente diz ao neurologista que acordou bem e que ao final da tarde, por exemplo, a pálpebra do olho esquerdo estava caída.


10. Neuropatias (problemas de nervos periféricos)

Os problemas relacionados aos nervos periféricos ou neuropatias em geral levam os pacientes a reclamarem de desconforto nos pés ou nas mãos, que pode ser sentidos na forma de falta de sensibilidade (hipoestesia) ou alteração na percepção da sensibilidade, como formigamentos (parestesias), estímulos não dolorosos que passam a doer (alodínea) e dor desproporcional ao estímulo realizado (hiperestesia), entre outros. Esses sintomas são bastante desconfortáveis e muitos pacientes acabam passando longos períodos, às vezes anos, sem um diagnóstico. Na verdade, a principal causa de neuropatia periférica em nosso meio está relacionada ao diabetes ou à neuropatia diabética. Independentemente da causa, que deve ser pesquisada, cabe ao neurologista oferecer um tratamento capaz de aliviar os sintomas da doença e proporcionar um período de alívio e esperança o mais longo possível.

11. Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade em adultos

Por incrível que pareça, o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDHA), uma angústia enorme para os pais e professores na idade infantil, é muito comum na vida adulta. E isso não acontece porque a doença tem início após os 30 anos. Infelizmente, ocorre pela falta de um diagnóstico mais precoce e porque esses pacientes acabam “convivendo” com problemas de atenção, memória, inquietude e falta de foco em suas atividades e projetos durante boa parte da fase adulta até que o diagnóstico de TDAH é finalmente estabelecido e o tratamento iniciado. A partir daí, é comum o neurologista ouvir, entre outras declarações, que a vida se tornou melhor depois de o paciente e seus familiares e amigos “entenderem” o problema. O passo seguinte requer uma série de medidas terapêuticas com e sem medicação para proporcionar alívio dos sintomas.

terça-feira, 18 de março de 2014

Caso clinico: neuropraxia de mão esquerda


Paciente A.P.C.S., masculino, 42 anos, 70 kg, 1.65 cm, Hipertenso, vigilante, natural e procedente de São Gonçalo - RJ, foi admitido na Clínica Escola Universo em Setembro/2012 referindo-se a "dormência e pouco movimento da mão esquerda".

Nos hábitos de vida, faz uso de medicação para hipertensão, bom desempenho no trabalho, bom relacionamento com os membros da casa e do trabalho.

O mesmo refere que em Junho de 2012, sofreu uma queda da sua própria altura, com o cotovelo em flexão (90º) e mão em posição neutra; sem perda de consciência ou traumatismo crânio-encefálico. No mesmo dia, recebeu seu primeiro atendimento em um Pronto Socorro de sua cidade, onde foi avaliado pelo ortopedista do local. Foi realizado um exame de Raio X, onde foi diagnosticada uma pequena calcificação na região Vaiar do punho. Em seguida, recebeu alta, já que o paciente não apresentava nenhuma sequela naquele momento.

Em média um mês após o incidente, recebeu atendimento em outro serviço tendo iniciado o quadro com um episódio de diminuição da força na mão esquerda e limitação dos movimentos dos dedos (polegar e indicador). Refere que estava carregando uma sacola quando o quadro iniciou. Foi submetido a alguns exames.

Ao exame físico geral, mostrava-se em bom estado geral, corado, hidratado, extremidades sem edema (exceto ao punho esquerdo) e perfundidas.

Ao exame neurológico, apresentava alterações apenas na mão esquerda com presença de força grau III e dificuldade de extensão e flexão dos dedos (polegar e indicador) da mão esquerda, perda da sensibilidade ao toque e a dor, negava algias, sem tremores.

No exame Ressonância Nuclear Magnética, não apresentou nenhuma alteração relevante.

No exame de Eletroneuromiografia foi diagnosticado: LESÃO AXONAL INCOMPLETA DO NERVO RADIAL (NEUROPRAXIA).

Recebeu avaliação da Psicologia Hospitalar que deu alta por não haver alterações comportamentais ou intercorrências sociais até o momento. Passou também por avaliação pela Ortopedia, a qual o liberou com medicação sintomática e orientações gerais.

Após esses exames/investigação, o paciente recebeu alta hospitalar com encaminhamento para os ambulatórios de Neurologia e Neurocirurgia para acompanhamento, incluindo fisioterapia motora da mão diariamente, próximo ao local de origem.

 

TRATAMENTO FISIOTERÁPICO:

O tratamento adequado das lesões dos nervos periféricos depende do local e da extensão da lesão.
Além de uma história e exame físicos apropriados, a avaliação eletrofisiológica é fundamental para uma avaliação adequada da lesão2.

A diferenciação entre lesões parciais (neuropraxia e axonotmese) e completas (neurotmese) é de extrema importância para o planejamento do tratamento. Enquanto lesões parciais são tratadas conservadoramente, as lesões completas devem ser corrigidas cirurgicamente8,10.

Como objetivos do tratamento conservador/fisioterápico têm2,10:

- Criar melhores condições possíveis para a recuperação da capacidade funcional (prevenir contraturas de tecidos moles e das deformidades, comportamento motor adaptativo e do desuso do membro).

- Controle da dor e do edema.

- Manter ou aumentar a amplitude de movimento do membro afetado.

- Proporcionar as condições ambientais necessárias para os músculos poderem reassumir sua função.

- Treinar o controle motor mediante exercícios com fisioterapia motora.

Em 13 de Setembro de 2012 o paciente, foi admitido na Clínica Escola Universo. Onde foi iniciado o tratamento fisioterápico:

1. Diagnóstico Clínico: Neuropraxia da Mão Esquerda.

2. Fisiodiagnóstico: Quadro motor comprometido (dificuldade em realizar a extensão da mão esquerda) e parestesia da mesma.

3. HDA / HPP: Sofreu queda em junho/2012, com o cotovelo em flexão (90Q) e mão em posição neutra. Dificuldade em realizar a extensão e perda da sensibilidade da mão esquerda.

4. Exames complementares:

- Eletronervomiografia: lesão axonal incompleta do nervo radial;

- Raio X: calcificação na região Volar do punho.

5. Grau de força muscular (O a 5): 3

6. Escala de dor (0 a 10): 0

7. Inspeção/ Palpação: Normal

OBS: O paciente se encontrava otimista e confiante para o início do seu tratamento.

 

EVOLUÇÃO DE TRATAMENTO:

1- Em 18 de setembro de 2012, foi iniciado o tratamento, onde o protocolo de tratamento incluía a Técnica de Crochetagem, Cinesioterapia e a Técnica de Artrocinemática associada a alongamento de todo o segmento.

2- Em 16 de outubro de 2012, o paciente foi reavaliado, e foi observado que o mesmo apresentava respostas significativas ao tratamento. Então, o seu protocolo tratamento foi modificado/evoluído, onde acrescentamos o uso da Bandagem Funcional Elástica e práticas de Exercícios Resistidos.

3- Em 08 de janeiro de 2013, acrescentamos ao protocolo de tratamento a prática de Exercícios Funcionais, Exercícios de Coordenação Fina e Propriocepção.

4- Em 21 de fevereiro de 2013, o paciente foi reavaliado, e foi observado que o mesmo apresentava respostas significativas ao tratamento. Então, o seu protocolo tratamento foi modificado/evoluído, onde acrescentamos a musculação, com exercícios tridimensionais.

5- Em 04 de abril de 2013 (após 9 meses da lesão), O paciente foi reavaliado por nossa equipe, onde apresentou melhora parcial da força, sensibilidade normal, quadro motor normal e amplitudes de movimentos normais. O mesmo recebeu alta fisioterápica, mas permanece em acompanhamento com as especialidades supracitadas.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O que é a Debilidade Muscular?

A debilidade muscular é um problema corrente com diversos significados para pessoas diferentes. Para algumas, é simplesmente uma sensação de cansaço ou de esgotamento.

No entanto, se existir uma verdadeira debilidade muscular, um grande esforço não gera uma força normal e a debilidade pode afectar todo o corpo ou então estar limitada a um braço, a uma perna ou inclusive a uma mão ou a um dedo. Apesar de a debilidade costumar ser consequência de problemas nos músculos, nos tendões, nos ossos ou nas articulações, habitualmente a debilidade muscular é causada por alterações no sistema nervoso. Alguns casos de debilidade ocorrem sempre após um período de doença, aparecendo frequentemente nas pessoas de idade avançada (sarcopenia).

Diagnóstico

Na valorização da debilidade muscular os médicos procuram sinais que lhes permitam identificar a causa do problema e depois tentam localizar quais são os músculos débeis e quantificar o grau dessa debilidade. Os músculos examinam-se de forma sistemática, começando geralmente pela cara e pelo pescoço, em seguida os braços e, finalmente, as pernas. Em condições normais, a pessoa deverá ser capaz de manter os braços estendidos durante alguns minutos sem que nestes se verifique oscilação ou tremor. A incapacidade de manter os braços nessa posição pode ser um sintoma de debilidade. A força dos grupos musculares contra resistência avalia-se empurrando ou puxando enquanto o médico faz o mesmo em sentido contrário.

As provas funcionais podem proporcionar informação sobre a debilidade muscular; para isso a pessoa efectuará diversas manobras enquanto o médico toma nota de qualquer deficiência que exista nos grupos musculares implicados. Por exemplo, pode verificar a capacidade da pessoa para se levantar da cadeira sem a ajuda dos braços, para se levantar estando de cócoras, para se manter sobre as pontas dos dedos dos pés ou sobre os calcanhares e para segurar um objecto com a mão.

Os médicos procuram indícios de desgaste muscular (atrofia), que pode ser consequência de lesões no próprio músculo ou nos seus nervos, embora também possa dever-se a uma atrofia por falta de uso, como acontece após um período prolongado na cama. O aumento da musculatura (hipertrofia) produz-se normalmente com exercícios como o levantamento de pesos, mas, às vezes, a hipertrofia é consequência do trabalho excessivo de um músculo em particular para compensar a debilidade de outro. Os músculos também podem aumentar de volume quando o tecido muscular normal é substituído por um tecido anormal, como acontece na amiloidose e em certas perturbações musculares hereditárias, como a miotonia congénita.

Durante o exame, o médico, ao palpar os músculos, procura descobrir a presença da dor e a consistência dos mesmos. A musculatura em geral é consistente, mas não dura, e lisa, sem protuberâncias. Também é possível efectuar um exame para detectar movimentos anormais. Se se observarem tremores breves, ligeiros e irregulares por baixo da pele (fasciculações), estes costumam indicar uma doença dos nervos, embora, às vezes, apareçam também em pessoas saudáveis (especialmente as que estão nervosas ou têm frio) e sejam habituais nos músculos das barrigas das pernas dos idosos. A miotonia (incapacidade do músculo para se relaxar) habitualmente denota um problema mais muscular do que dos nervos.

O exame neurológico é útil para identificar anomalias da sensibilidade, coordenação, mobilidade motora e reflexos.  Os estudos neurológicos (como a medição da condução nervosa) são úteis para determinar a normalidade do funcionamento da inervação dos músculos.

A electromiografia é uma prova que regista os impulsos eléctricos do músculo e serve para determinar a sua normalidade. Se houver alguma alteração dos músculos, a electromiografia pode ajudar a diferenciar se se trata de uma anomalia do nervo ou do músculo.

Se o problema residir no próprio músculo, o médico pode efectuar uma biopsia muscular (obtenção de um pequeno fragmento de tecido muscular para o seu exame ao microscópio). As análises de sangue podem medir a velocidade de sedimentação dos glóbulos vermelhos (em caso de inflamação poderá ser elevada) e a concentração de creatinafosfoquinase (um enzima muscular normal que pode sair do músculo e passar para o sangue quando existe uma lesão muscular).




Causas da debilidade muscular
Problema subjacente Exemplo Consequências principais
Lesão do cérebro Icto ou tumor cerebral. Debilidade ou paralisia do lado do corpo oposto à lesão cerebral. A articulação da linguagem, a deglutição, a personalidade e os processos do pensamento podem ser afectados.
Lesão da medula espinhal Traumatismo do pescoço ou das costas, tumores da medula espinhal, estreitamento do canal espinhal, esclerose múltipla, mielite transversa, défice de vitamina B12. Debilidade ou paralisia dos braços ou das pernas abaixo do nível da lesão, perda progressiva de sensibilidade abaixo do nível da lesão, dor de costas. As funções intestinais, da bexiga urinária e sexuais podem encontrar-se afectadas.
Degenerescência dos nervos da medula espinhal Esclerose lateral amiotrófica. Perda progressiva de massa e de força musculares, mas sem perda da sensibilidade.
Lesões das raízes nervosas espinais Hérnia discal no pescoço ou na parte baixa da coluna. Dor no pescoço e debilidade ou torpor num braço, dor lombar com irradiação para uma perna (ciática) e debilidade ou torpor numa perna.
Lesão de um só nervo (mononeuropatia) Neuropatia diabética, compressão local. Debilidade ou paralisia muscular e perda de sensibilidade na área inervada pelo nervo lesionado.
Lesão de vários nervos (polineuropatia) Diabetes, síndroma de Guillain-Barré, défice de ácido fólico e outras doenças do metabolismo. Debilidade ou paralisia dos músculos e perda de sensibilidade nas áreas dependentes dos nervos afectados.
Doença da junção neuromuscular Miastenia grave, toxicidade por curare, síndroma de Eaton-Lambert, intoxicação por insecticidas. Paralisia ou debilidade de muitos músculos.
Doença muscular Doença de Duchenne (distrofia muscular). Infecções ou perturbações inflamatórias (miosite viral aguda, polimiosite). Debilidade muscular progressiva por todo o corpo.
Dor e debilidade nos músculos.
Problemas psicológicos Depressão, sintomas imaginários, histeria (reacção de conversão), fibromialgia. Queixas acerca da debilidade em todo o corpo, paralisia sem evidência de lesões nervosas.

 

Aproximação ao conhecimento da debilidade muscular
Problemas nos nervos Problemas nos músculos
Os músculos podem deteriorar-se, mas na realidade ser mais fortes do que parecem. Os músculos podem estar mais débeis do que parecem.
Produzem-se pequenas contracções musculares por baixo da pele. Não se produzem pequenas contracções musculares por baixo da pele.
Os reflexos podem estar inesperadamente diminuídos ou completamente ausentes. Os reflexos podem estar presentes embora os músculos estejam muito debilitados.
Pode existir perda da sensibilidade em toda a área da debilidade muscular. A sensibilidade (como a do tacto e a percepção de calor) é normal, mas os músculos podem doer com a pressão.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Fisioterapia neurofuncional hospitalar e suas principais patologias

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A Fisioterapia Neurofuncional é bastante difundida em nosso meio e surgiu no fim da década de 40 com alguns pesquisadores como Rood, Kabat e Knott, Brunnstrom e Bobath.  Atua com base nos conceitos neurofisiológicos obtidos após condutas bem sucedidas e pesquisas intensas, direcionando-se o tratamento para a recuperação funcional mais rápida possível para o paciente, seja ele pediátrico, adulto ou geriátrico. Hoje, com modernas técnicas, aprimoramento constante dos profissionais, cursos de aperfeiçoamento, essa área da fisioterapia obtém grandes resultados. 

A fisioterapia neurofuncional hospitalar também compartilha desse aprimoramento e pode minimizar as disfunções de doenças que acometem o sistema nervoso como: Traumatismo Craniano, Esclerose Múltipla, Acidente Vascular Encefálico, dentre outras. 

A reabilitação tem como objetivo restaurar a identidade pessoal e social dos pacientes que sofreram lesões no córtex, tronco cerebral, medula espinhal, nervo periférico, junção neuromuscular e no músculo, buscando o bem estar físico e emocional do indivíduo. 

O tratamento é globalizado e tem como objetivos principais:

  • Prevenir deformidades, orientar a família e o paciente seja ele adulto ou criança,
  • Normalizar o tônus postural,
  • Melhorar habilidades cognitivas e de memória,
  • Ortostase precoce com uso do lift ortostático,
  • Reintegrar o paciente a sociedade,
  • Diminuir padrões patológicos,
  • Prevenir instalação de doenças pulmonares ou qualquer outra intercorrência,
  • Manter ou aumentar a amplitude de movimento,
  • Reduzir a espasticidade,
  • Estimular as atividades de vida diária, a alimentação, o retreinamento da bexiga e intestinos, a exploração vocacional e de lazer;
  • Otimizar a qualidade de vida do paciente.

Diversas são as patologias neurológicas que podem ser tratadas pela fisioterapia. Dentre elas, discorreremos sobre as mais comuns: 

Hemiplegia

Ocorre geralmente após um acidente vascular encefálico, onde o individuo geralmente fica com um lado do corpo paralisado. 

A reabilitação na hemiplegia é iniciada logo após o acidente vascular para fazer com que o paciente saia da cama e consiga realizar suas atividades mais independentemente possível. 

A participação ativa do paciente é fundamental com o fisioterapeuta, para que ele possa aprender a controlar sua musculatura e movimentos anormais.

Doença de Parkinson

O paciente apresenta: tremor, bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez , alterações posturais e quedas freqüentes.

O principal objetivo nesta patologia é trabalhar alongamento para melhorar amplitude do movimento, alinhar e melhorar a postura, treinar a marcha (com oscilação dos membros superiores), estimular reações de equilíbrio, treinar sentar e levantar de cadeiras, extensão e rotação do tronco. Os exercícios específicos e regulares são de fundamental importância para manter o paciente forte, flexível e funcional. 

Polineuropatia

Refere-se aos obstáculos em que os nervos periféricos são afetados por um ou mais processos patológicos, levando-os á incapacidade motora.

Na polineuropatia iniciaremos com cuidados respiratórios, controle de dor, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e adaptações às possíveis incapacidades do paciente. 

Traumatismo Craniano

Depois de algum trauma, o cérebro quando lesado pode levar o paciente ao coma, déficits físicos e incapacidade.

A prevenção de contraturas, a manutenção da função respiratória, a diminuição da elasticidade, a melhora da amplitude de movimento, a normalização de movimento e do tônus postural e o reforço das habilidades remanescentes serão as prioridades neste caso. 

Vale acrescentar que os métodos de fisioterapia são cada vez mais valorizados pelos pacientes e por profissionais de saúde em geral. É comum que o fisioterapeuta selecione técnicas específicas de diversos métodos de tratamento aplicando-as de acordo com as necessidades de seus pacientes.

Também se observa um enorme grau de liberdade criativa baseado nos conceitos gerais de cada método e na competência e profissionalismo de cada fisioterapeuta.

Considerando-se que, seja qual for o método, o objetivo geral é promover o aprendizado ou reaprendizado motor desenvolvendo nos pacientes a capacidade de executar atividades motoras o mais próximo possível do normal.

Por: Manon Giulian - Fisioterapeuta


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